Parte 2

27-01-2015 23:41

Os resultados obtidos no questionário VARK, no site https://vark-learn.com/questionario/ foram

Visual: 10

Auricular 4

Leitura/Escrita 0

Cinestésica 2

 

Face aos resultados obtidos fiquei por um lado satisfeita e por outro, um pouco pensativa. Tendo em conta a minha formação base, Licenciada em Matemática e Pós-Graduada em TIC, ter tido uma pontuação 10 no visual era de esperar, pois gosto de explicar com esquemas, gráficos, imagens. O que dá para perceber a pontuação 0 na parte da Leitura/Escrita. É verdade que escrever não é o meu forte, gosto de transmitir os conhecimentos, mas para isso uso diagramas/esquemas e até programas que permite explorar os conceitos.

Fui vasculhar no meu passado para perceber estes extremos. E, de facto, tive um primeiro ciclo, se posso falar deste modo, pois fiz a primária em França e o que nós faziamos muito era trabalhos onde os principais objectivos é a autonomia elaborando trabalhos o mais criativo possível. Por consequência, desenvolvi a elaboração de trabalhos com maquetes, cartazes, entre outros. Pus estes domínios em prática no meu estudo e na elaboração de trabalhos, onde o texto corrido deixou de existir passando a elaborar diagramas com palavras-chaves. Lembro-me perfeitamente, já em Portugal, os meus colegas pedirem-me os apontamentos para poderem estudar. Outra situação engraçada foi uma professora virar-se para a turma e dizer “se querem fazer trabalhos sob a forma de esquema é preciso saber fazer”, pois havia algumas pessoas que queriam tentar elaborar trabalhos semelhantes aos meus. Também para mim constituiu uma fuga, pois tenho as ideias, mas escrever texto corrido, para mim é um bicho de sete cabeças. Poderá estar relacionados com as línguas é possível, pois nunca fui boa!

O que me espantou foi o resultado da Cinestésica. Não compreendia o porquê deste resultado pelo que fui fazer outro questionário VARK, mas no site  https://www.literacynet.org/mi/assessment/findyourstrengths.html 

E os resultado forams:

Os seus três melhores inteligências numa escala de 0 a 5:

“4, 71 (máximo 5) Logic / math: Você gosta de explorar como as coisas estão relacionadas, e você gostaria de entender como as coisas funcionam. Você gosta de conceitos matemáticos, quebra-cabeças e jogos de manipulação. Você é bom em pensamento crítico.”

“4,14 (máximo 5) Movimento Corporal: Você gosta de se mover, dança, mexer, andar e nadar. É provável que você bom em esportes, e você tem boas habilidades motoras finas. Você pode desfrutar de separar as coisas e colocá-los de volta juntos. Incorporando o movimento do corpo em seu aprendizado vai ajudá-lo a processar e reter melhor as informações.”

“4 Social: Você gostaria de desenvolver ideias e aprender com outras pessoas. Você gosta de falar. Você tem boas habilidades sociais. Técnicas eficazes de melhorar o seu aprendizado usando sua inteligência social incluem a participação em discussões de grupo ou discutir um tópico de um-para-um com outra pessoa. Encontre maneiras de construir exercícios de leitura e escrita em suas atividades em grupo”.

Face a estes dois resultados, podemos ver que no movimento corporal os valores contradizem o da Cinestésica, pois de facto, ando de um lado para o outro, uso as mãos para explicar alguns conceitos, não tenho uma voz monótona.

Quanto à minha reflexão sobre a minha experiência como aluna/estudante na forma como foi ensinado, posso dizer que tive uma grande variedade. Com isto quero dizer, que há professores que são mais expositivos, outros utilizavam as experiências em laboratório, outros utilizavam as tecnologias. Não me posso queixar. Agora, o facto de ser uma aula expositiva com resolução de exercícios, por exemplo em matemática, para mim não constituía nenhum aborrecimento, pelo contrário “bebia” a informação; chegou a um ponto que a professora tinha que me facultar outro livro para fazer exercícios. O mesmo tipo de ensino a história, já ficava aborrecida, não me impediu tirar boas notas.

Em França, onde aprendi a programar nos finais da década de 80 e onde tive também um professor com regime militar, aquilo era tropa autêntica! Vou contar a história no CE2 (tipo 3º ano): tinha notas entre 50% e 55%, chamaram os meus pais e acharam por bem eu reprovar! Fiquei aborrecida e fui para MR. Gabas (único professor da primária que me lembro o nome, e já la vão cerca de 30 anos), era tipo tropa… Aprendemos a ser, a estar e a trabalhar como equipa… Marcou-me muito pela positiva. Deixei de ser uma aluna tangente a 50% e passei a ter muito melhores resultados. Poderia contar outros exemplos que me marcaram, mas ficou aqui visível que não ponho em causa a maneira como os professores transmitem o conhecimento; no entanto, percebo que face ao mundo actual, ao ensino de massa e a era das tecnologias leva-nos a questionar como ensinar? Lembro-me de uma matéria, as homotetias, que durante alguns anos usava o quadro, era complicado, para mim e para os alunos. Tantas linhas… Tanta confusão… Um ano resolvi usar o Geogebra, construi e animei aquilo tudo. Para meu espanto, no teste foram capazes de reproduzir num exercício, sabendo que podiam usar o quadriculado para fazer a ampliação. Mais fiquei ainda mais perplexa com alunos com dificuldades terem conseguido fazer! Consigo perceber que tudo o que não é estático, os alunos conseguem projectar no problema e depois aplicar.

Fico por aqui, mas teria muito mais exemplos onde gostaria de trocar impressões…